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  • Claudeth S. Ferraz 23.11.2014 01:23
    textos maravilhosos... Obrigada, pela dedicação em divulgar conhecimento para melhor compreensão sobre ...

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  • Clezyanne 23.11.2014 00:32
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POMBAGIRA MIRIM

 

POMBAGIRA MIRIM NA UMBANDA

 

Assim como os Exus Mirins, as Pombagiras Mirins que se manifestam na Umbanda são Seres Encantados de uma Dimensão da Vida localizada à Esquerda da Dimensão Humana. Elas não são espíritos humanos.

 

Na Umbanda, as Pombagiras Mirins formam uma Linha de Trabalhos Espirituais da Esquerda, ao lado dos Exus, das Pombagiras e dos Exus Mirins. Na atualidade, sua manifestação nos Terreiros não é frequente, pela falta de estudos a respeito. São “diferentes”, são Encantados da Esquerda da Criação, e isso gera dúvidas e “fantasias”.

 

Aqui, a proposta é uma reflexão sobre a natureza dos Seres Encantados, para melhor compreensão do trabalho dessas Entidades na Umbanda.

 

Os seres da Dimensão Encantada estão num Plano da Vida anterior àquele onde se localiza a Dimensão Humana. E é neste sentido que dizemos: em relação a nós, as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins são “infantis”.

 

Explicando melhor: na Dimensão Humana da Vida, nós adquirimos consciência e livre-arbítrio. Essas capacidades não são alcançadas no Plano Encantado, porque nele a prioridade é o desenvolvimento da sensibilidade, da sensitividade, da percepção, a depuração do mental.

 

Além disso, a Dimensão Humana está localizada no Plano Natural da Vida à Direita da Criação. Já a Dimensão das Pombagiras Mirins e dos Exus Mirins pertence ao Plano Encantado à Esquerda da Criação. São Realidades Divinas bem diferentes.

 

Os Planos da Vida são estes: 1- Fatoral; 2- Elemental; 3- Essencial; 4- Dual; 5- Encantado; 6- Natural; 7- Celestial.  Eles representam os vários estágios da evolução dos seres, a partir do instante em que são criados por Deus.

 

Resumidamente, temos:

 

No 1º e 2º Planos da Vida, o ser é totalmente inconsciente (centelha Divina);

 

No terceiro, ele começa a tomar forma, tem o instinto de sobrevivência e os seus chakras começam a desenvolver-se;

 

No quarto Plano, passa a absorver dois tipos de Energias Elementais e desenvolve o emocional (a dualidade leva ao equilíbrio razão/emoção);

 

No quinto, é um ser Encantado semiconsciente (tem uma percepção muito apurada; tem consciência da própria individualidade, mas não uma consciência mais ampla como a dos seres humanos e nem o livre-arbítrio);

 

No sexto Plano, torna-se um ser Natural consciente e ali permanece para aprender a usar o livre-arbítrio. Neste Plano está localizada a Dimensão Humana;

 

Depois de aprender integralmente a usar o livre-arbítrio, os seres passam para o sétimo Plano da Vida, onde se tornam Seres Mentais Celestiais, não têm mais forma, são Seres de Luz. (Cf. “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada”, Rubens Saraceni, Madras Editora, 2003, Capítulo 9- Gênese do Ser- Sete Planos da Vida, páginas 99/107.)

 

Algumas características do Plano Encantado e do Plano Natural:

 

O Plano Encantado (5º Plano da Vida) tem várias Dimensões, nas quais os seres apuram sua sensibilidade, sensitividade e percepção. Depuram o mental, porque já têm o emocional desenvolvido e equilibrado.

 

Já o Plano Natural (6º Plano da Vida) tem 77 Dimensões e uma delas é a Dimensão Humana, aquela em que vivemos. Neste Plano os seres adquirem consciência e livre-arbítrio, o que representa um estágio a mais de evolução.

Por este motivo é dizemos que os Seres Encantados são “infantis” em relação a nós, pois eles não apresentam o mesmo grau de “amadurecimento” que nós, humanos. (Isso não nos torna “superiores”, pois em relação a tudo o que ainda temos a aprender, também somos “infantis” perante o Criador e a Criação...)

 

Há um Plano Encantado à Direita da Dimensão Humana, com 49 Dimensões (7 Cristalinas, 7 Minerais, 7 Vegetais, 7 do Fogo, 7 do Ar, 7 do Elemento Terra e 7 Aquáticas). Os seres chegam a este Plano Encantado já trazendo em si duas Energias Básicas absorvidas no 4º Plano.

Cada ser é único e tem um magnetismo próprio, desde o início. Esse magnetismo individual vai atrair o ser para uma das 49 Dimensões mencionadas, onde receberá outro tipo de Energia e evoluir mais um pouco, pois irá desenvolver o Sentido da Vida correspondente (na Dimensão Cristalina= Sentido da Fé; na Dimensão Mineral=Sentido do Amor etc.). Ali ficará até absorver completamente tal Energia, tornando-se um manifestador das Qualidades Divinas inerentes àquele Sentido, isto é, onde for, levará tal Energia de forma muito potencializada, pura. As Crianças (Erês) da Umbanda vêm deste Plano Encantado.

 

Mas existe também um Plano Encantado à Esquerda da Dimensão Humana. É nele que as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins têm origem.

 

Como Seres Encantados da Esquerda, as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins atuantes na Umbanda são “infantis” em relação a nós, ou seja, estão num estágio de evolução anterior e diferente do nosso: são do 5º Plano à Esquerda; e a Dimensão Humana fica no 6º Plano à Direita.

 

Muitos pensam que são “crianças” (como as crianças humanas). Porém, tratando-se de seres de outra Dimensão, não há termo de comparação entre essas Entidades da Esquerda e as crianças da Dimensão Humana.

 

Aos médiuns clarividentes, as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins se apresentam como seres muito pequenos e de aparência um tanto diferente da humana.

 

Segundo a obra psicografada por RUBENS SARACENI, eles são pigmeus. Esta é a sua característica na Dimensão de origem. Mesmo adultos, seus corpos se mantêm “pequenos”. Daí a designação de “mirins“. (Vide os livros “Arquétipos da Umbanda” e “Orixá Exu Mirim”, Rubens Saraceni, Editora Madras.)

 

E como tudo é “pequeno” na Dimensão da qual as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins procedem, há oferendas a essas Entidades que incluem objetos como bonecas, carrinhos, bolinhas de metal, brinquedos de metal; além de flores pequenas, como mini-cravo ou cravina para os Exus Mirins e mini-rosa para as Pombagiras Mirins. Também se utilizam alguns tipos de doces, bem como mel e ervas para adoçar as bebidas manipuladas pelos Mirins. Isso dá margem a dúvidas: se a oferenda inclui “brinquedos” e “doces”, essas Entidades são “crianças”? A resposta é NÃO!

 

Os “brinquedos” equivalem a objetos “em miniatura”. São usados para uma relação ao tamanho “mirim” dessas Entidades, ou em razão do material de que são feitos (metais), e não porque os Mirins sejam “crianças”. Inclusive, o uso de bolinhas ou esferas de metal está relacionado a um tipo de Magia que as Entidades Mirins conhecem e praticam com muita eficiência (embora não se disponham a dar “explicações” às perguntas “curiosas” que façamos a respeito...).

 

E o fundamento da inclusão de doces, de mel e de ervas adoçantes é que tais elementos têm função agregadora, harmonizadora e potencializadora das atuações magísticas dos Mirins.

 

NÃO são crianças. São Encantados da Esquerda da Criação, com um grau destacado de evolução no seu mundo de origem. E ainda passam por uma preparação antes de se manifestarem na Umbanda.

 

Na respectiva Dimensão, as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins têm uma percepção apuradíssima e conhecimentos magísticos ali adquiridos que os habilitam a atuar em áreas determinadas junto aos humanos. Essa Magia é Divina e específica daquela Dimensão, os espíritos humanos não têm acesso a ela, é uma especialidade dos Mirins.

 

Essa percepção apurada faz com que os Mirins sejam capazes de captar intenções maldosas, cortando-as na origem, além de desembaraçar situações complicadas. Porque, muitas vezes, a causa da “complicação” é uma projeção mental negativa (uma intenção negativa fortemente projetada contra a pessoa ou o ambiente), ou então um bloqueio íntimo, um padrão negativo que a pessoa vem trazendo de outras encarnações e que está “oculto” dentro dela. Tudo isso é captado pela sensibilidade aguçada dessas Entidades, que vêm até nós para nos auxiliar com suas habilidades magísticas. Ao mesmo tempo, a evolução deles é acelerada pelo contato com a nossa Dimensão; prova de que “a moeda de troca” da Criação é o convívio fraterno que a todos enriquece.

 

Para trabalhar na Umbanda, as Pombagiras Mirins se preparam na Dimensão Encantada de origem. Então, elas se assentam à Esquerda dos Orixás, deles obtendo permissão e amparo para esse trabalho. Processo idêntico ocorre com os Exus Mirins. Por isso, há Exus Mirins e Pombagiras Mirins atuando na irradiação dos 14 Orixás que cultuamos.

 

Existe um Orixá Maior sustentador dessa Linha? A resposta é SIM!

 

Todas as Linhas de Trabalho da Umbanda atuam sob a Regência direta de um Mistério Divino e manifestam as Qualidades do respectivo Orixá. Além disso, cada Entidade atua sob a Irradiação de determinado Orixá, que definirá seus campos específicos de trabalho (Fé; Amor; Conhecimento; Justiça; Lei; Evolução; Geração).

 

O mesmo acontece com as Pombagiras Mirins e as demais Linhas de Esquerda.

 

Uma comparação com as Linhas da Direita facilitará a nossa compreensão.

Exemplos clássicos: Os Caboclos atuam sob o Mistério Caboclo, Regência do Orixá Oxóssi. Quando um Caboclo ou uma Cabocla se manifesta na Umbanda, eles trazem e ativam as Forças, Qualidades ou a capacidade de realização do Mistério Caboclo. Já os Pretos Velhos são regidos pelo Mistério Ancião, dos Orixás Obaluayê e Nanã, e quando se manifestam na Umbanda, eles trazem e ativam as Forças, Qualidades ou a capacidade de realização do Mistério Ancião.

 

Mas há Caboclos e Pretos Velhos atuando na Irradiação dos 14 Orixás.

Exemplos: Caboclo de Oxalá― manifesta as Qualidades Divinas do Mistério Caboclo nos campos da Fé, é um expansor do Sentido da Fé, inspira o estudo e o conhecimento no campo da Fé, é um doutrinador; Preta Velha de Oxum― manifesta as Qualidades Divinas do Mistério Ancião nos campos do Amor, traz a Transmutação e a Evolução para o Sentido do Amor.

 

Nas Linhas de Esquerda, dá-se o mesmo.

Os Exus atuam sob a Regência e Mistério do Orixá Exu; as Pombagiras atuam sob a Regência e Mistério do Orixá Pombagira. E há Exus e Pombagiras atuando nos 7 Sentidos da Vida, na Irradiação dos 14 Orixás.

 

Vamos agora analisar essa questão relativamente às Entidades Mirins da Esquerda:

 

Quanto aos Exus Mirins, sabemos hoje que eles são regidos pelo Mistério de um Orixá que na Umbanda denominamos Orixá Exu Mirim. Quando incorporam, os Exus Mirins manifestam as Qualidades Divinas do Mistério deste Orixá.

 

O Orixá Exu Mirim não era conhecido na cultura Nagô-Iorubá, da qual herdamos o Culto de Orixá. Então, Pai Benedito de Aruanda, um dos Mentores Espirituais de Rubens Saraceni, explicou que o nome dessas Entidades (Exu Mirim) poderia designar o seu Orixá Regente, uma vez que toda Entidade é o manifestador natural das Qualidades do Mistério Divino do Orixá que as rege diretamente (vide o livro “Orixá Exu Mirim”, Madras Editora, de Rubens Saraceni).

 

Também as Pombagiras Mirins atuam sob a Regência direta de um Mistério Divino e manifestam as Qualidades de um Orixá cujo nome não era conhecido entre os Nagôs-Iorubás.

 

Então, pelo mesmo princípio aplicado aos Exus Mirins― cujo nome serviu para designar seu Mistério Divino e Orixá Regente― podemos denominar de “Orixá Pombagira Mirim” o Divino Regente do trabalho das Entidades Pombagiras Mirins, dentro do Ritual de Umbanda. O mais importante é saber que as Pombagiras Mirins são Entidades regidas por uma Divindade de Deus, já que nada existe fora das Leis do Criador. Portanto, merecem nosso respeito e gratidão.

 

Como Entidades Femininas, as Pombagiras Mirins representam o Sagrado Feminino (o aspecto “Mãe” do Criador). Manifestam o aspecto Feminino de um Mistério da Criação, enquanto os Exus Mirins manifestam o aspecto Masculino desse Mistério.

 

Finalmente, há Pombagiras Mirins atuando na Irradiação de todos os Orixás, de forma idêntica ao que se constata nas demais Linhas de Trabalho da Umbanda.

 

CARACTERÍSTICAS E CAMPOS DE ATUAÇÃO

 

Quanto à sua forma de incorporação, as Pombagiras Mirins são travessas, falantes e curiosas, assim como os Exus Mirins. Dependendo da Irradiação do Orixá que rege seu campo específico de trabalho, serão mais agitadas, mais tranquilas etc. Mas elas não são mal educadas e nem grosseiras; e se isto ocorrer, a causa estará um desequilíbrio do médium.

 

Textos doutrinários a respeito dos Exus Mirins e das Pombagiras Mirins são raros.

 

Recentemente, temos duas obras de Rubens Saraceni, já mencionadas, sobre o tema: “Arquétipos da Umbanda” e “Orixá Exu Mirim”, onde o autor esclarece que as Pombagiras Mirins têm características semelhantes às dos Exus Mirins porque elas  correspondem ao aspecto Feminino de atuação de um Mistério Divino cujo aspecto Masculino é manifestado por eles (assim como acontece com Caboclos/Caboclas, Preto-Velho/Preta-Velha etc.); que há uma identificação dos Exus Mirins com os Exus da Umbanda, bem como das Pombagiras Mirins com as Pombagiras.

 

Por falta de conhecimentos na época, as primeiras manifestações das Entidades Mirins provocaram interpretações fantasiosas e geradoras de preconceitos. Pensava-se que as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins eram “espíritos” que em encarnações anteriores foram “crianças de rua”, “marginais” etc. Nada se sabia sobre a sua natureza Encantada. Passaram a ser vistos como “seres diabólicos que fazem o mal” e não eram bem aceitos nos Terreiros, pois ninguém entendia quem eles eram. Atualmente, é rara a presença das Entidades Pombagiras Mirins nos Terreiros de Umbanda, até menos frequente que a dos Exus Mirins.

 

Infelizmente, é triste perceber que muitos ainda pensam assim, de forma negativa. Na “internet”, por exemplo, há muitos textos dizendo que as Pombagiras Mirins “são filhas de prostitutas, filhas da rua, filhas do mal e agentes do mal”... Afora a irresponsabilidade de quem escreve tais barbaridades sobre algo que não entende, ainda há um desrespeito para com a religião de Umbanda e seus fundamentos Divinos e para com as Entidades Pombagiras Mirins, que manifestam as Qualidades Sagradas de um Orixá, de uma Divindade de Deus! Outro aspecto é que tais afirmações também demonstram preconceito e desumanidade em relação às crianças abandonadas nas ruas, que merecem o cuidado da sociedade, ao invés da pecha de “filhas da rua”. Será que Deus iria criar alguma criança para ter esse destino infeliz? Ou somos nós, a nossa sociedade “humana” (ou desumana?), que não enxergamos que estamos falhando com elas? Não existe criança “de rua”, não pode existir, dentro da Criação Divina! O que vemos são crianças “na rua”, por falta de competência e seriedade dos governos e indiferença da nossa sociedade. E não há “seres do mal” dentro de uma religião, seja ela qual for. Não pode haver, já que toda religião visa a religar o homem a Deus! São assuntos para se pensar...

 

Para quem atua mediunicamente na Umbanda com seriedade e para os fiéis sinceros, é fácil perceber que tudo isso não passa de fantasias e “achismos” maldosos, sem fundamento algum dentro da religião, ou mesmo fora dela. Basta aplicar bom senso e equilíbrio ao avaliar tais informações, “separando o joio do trigo”...

 

Um alerta: as Entidades de Esquerda do Ritual de Umbanda sempre espelham aquilo que está no íntimo das pessoas (dos seus médiuns e dos consulentes). Ou seja, aquilo que falamos e pensamos a respeito delas é apenas reflexo do que trazemos em nosso íntimo. Quem fala mal dessas Entidades está falando de si mesmo, dos preconceitos que carrega no íntimo. A palavra preconceito vem de “pré + conceito”, equivale a uma opinião formada antes de se conhecer o assunto tratado. Logo, é uma opinião com base em valores que já trazemos, é puro reflexo daquilo que pensamos e acreditamos, é o reflexo do nosso íntimo...

 

Médiuns desequilibrados extravasam seus preconceitos e desequilíbrios mais íntimos ao incorporar uma Entidade da Esquerda (Exu, Pombagira, Exu Mirim, Pombagira Mirim).

 

O mesmo fenômeno acontece com pessoas mal intencionadas e desequilibradas no Sentido da Fé, sejam médiuns ativos ou apenas consulentes, quando se colocam diante de Entidades da Esquerda “achando” que elas são “ex-marginais”, que podem tratá-las como “escravas” e pedir trabalhos negativos. Grande engano!

 

Uma pessoa assim acredita mais “no mal” do que no Bem que preside toda a Criação. Está intimamente “negativada” ou desequilibrada no Sentido da Fé e, por consequência, nos demais Sentidos da Vida. Por isso, vê maldade em tudo; crê que tudo é produto de magia negativa; que pode até pedir que alguém faça por ela uma magia negativa, para conseguir seus objetivos egoístas, sem ter responsabilidade pelo que pediu (maldade dupla: querer o mal do próximo e culpar outrem pela própria maldade!). Como é que se pode “pedir o mal” dentro de um ambiente religioso? Isto é o absurdo dos absurdos! Onde pedidos assim são aceitos, com certeza NÃO se está dentro de religião alguma!

 

Sejam, ou não, médiuns ativos― já que a mediunidade não dá diploma de “santidade” a ninguém―, pessoas assim não movem um dedo para se aprimorar interiormente e se capacitar para melhorar na vida. Vivem na preguiça e na escuridão íntima e, por isso mesmo, são preconceituosas e arrogantes. Quando se colocam à frente de uma Entidade de Esquerda, no entanto, são envolvidas “pela Mão Esquerda do Criador” e acabam “tirando a própria máscara”, colocando para fora o que existe em abundância dentro do próprio íntimo... Já dizia o Mestre Jesus: “A boca fala do que existe em abundância no coração”

 

Pode-se perguntar: ― Por que a Esquerda espelha o íntimo das pessoas? Não é um desrespeito, se a pessoa não quer expor? Qual a finalidade disso? Seria um castigo?

 

A resposta é: Não se trata de desrespeito ao outro e nem de “castigo”. É,  isto sim,   uma valiosa oportunidade de renovação! Porque uma das funções importantes das Entidades da Esquerda do Ritual de Umbanda Sagrada é trabalhar o nosso emocional, limpá-lo, revelar o que está escondido e que precisa ser modificado e renovado, e então nos conduzir a um caminho de equilíbrio íntimo, para que o nosso processo de evolução tenha continuidade. É uma verdadeira “catarse”...

 

Aí surgem outras perguntas:

 

―Mas as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins não são diferentes dos outros Guias? Respondemos: Sim, como Seres Encantados da Esquerda, eles têm características próprias e diferenciadas, inclusive em comparação aos Espíritos atuantes em outras Linhas de Trabalho da Umbanda.

 

―Essa diferença não significa que são “do mal”? Respondemos: Definitivamente, NÃO! São Seres criados por Deus, com capacidades específicas de contribuir para o Bem da Criação e por isso atuam dentro da religião de Umbanda. Qual seja essa contribuição, veremos a seguir.

 

De forma semelhante ao que fazem os Exus Mirins, as Pombagiras Mirins têm um papel importantíssimo dentro da Umbanda.

 

Sua apurada percepção, desenvolvida na Dimensão de origem, lhes permite captar a maldade quando ainda não praticada, a que está no campo das intenções, no mais íntimo das pessoas. Elas cortam o mal pela raiz! Atuam a partir do Plano Encantado à Esquerda da Dimensão Humana, com recursos magísticos que nós desconhecemos, pois não temos acesso àquela Dimensão, e que nem mesmo são igualados pelos valorosos Guardiões e Guardiãs que nos amparam (já que os Exus e as Pombagiras são espíritos humanos).

 

Quando uma Pombagira Mirim corta uma intenção negativa, ou quando quebra uma demanda, o seu papel é de anulação completa daquelas energias desequilibradas. A maldade é “dissolvida” por completo, com os recursos do seu meio de origem. A negatividade é recolhida e levada para a Dimensão onde as Pombagiras Mirins habitam.

 

Trata-se de um trabalho que ninguém desfaz, como se diz popularmente, porque não temos acesso a tal Dimensão. É um mecanismo Divino que nos protege, ainda que não saibamos compreendê-lo. Porque Deus é o Bem Maior e Suas Energias trabalham no Bem e para o Bem da Sua Criação. As Leis Divinas não mudam, são Perfeitas e atuam de forma permanente para resguardar a Ordem e o Equilíbrio de toda a Criação. Tais Recursos Divinos existem em todos os Planos da Criação. Tudo o que existe tem uma função Divina, nem sempre ao alcance da nossa compreensão.

 

Há quem faça magias negativas contra o próximo, há quem ganhe dinheiro e há quem pague por isso; há quem manda vibrações mentais negativas para os semelhantes, a torto e a direito (ódio, vingança, pragas, maldições etc.); há quem pragueja o dia todo contra o clima, as condições de vida, até contra a família (se chove, se faz sol, se está frio, se está calor, se tem trabalho e se não tem, quando o filho chora, quando o filho quer brincar etc.); enfim, há quem viva com intenções negativas que a lei humana não alcança. Mas da Lei Divina essas pessoas vão receber, mais cedo ou mais tarde, aquela projeção negativa de volta. Ação e reação.

 

No caso, as Pombagiras Mirins e os Exus Mirins irão recolher e “devolver” as intenções negativas para quem as emitiu, como agentes da Lei Maior, para preservar a Ordem Divina da Criação. Com certeza, a vida dessas pessoas começará a se complicar, a sofrer atrasos e outros embaraços, na colheita daquilo que semearam por livre e espontânea vontade. Afinal, são humanas e têm consciência e livre-arbítrio. Pode ser que elas queiram “culpar” alguém, dizendo-se “vítimas” de magias negativas etc. etc., mas de nada irá adiantar. Dizia o Mestre Jesus: “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”...

 

Todos nós estamos sujeitos a esses erros, de modo que um exame de consciência ajudará muito... Como nada está perdido na Criação Divina, o remédio para quem se vê nessa condição é pedir perdão ao Pai Oxalá e aos Sagrados Regentes da Justiça e da Lei Divinas, comprometendo-se perante o Divino Criador a retificar seus pensamentos e ações, e daí recomeçar sua vida de forma honrada, justa e positiva.

 

As Pombagiras Mirins também são muito eficientes na limpeza energética de pessoas e ambientes. A importância desse trabalho está, muitas vezes, além da nossa percepção.

 

Mas basta observarmos uma coisa: é comum que os Exus de Lei da Umbanda trabalhem com a ajuda de Exus Mirins. E é comum que as Pombagiras de Lei trabalhem com o auxílio de Pombagiras Mirins. Mesmo que os Mirins não incorporem, os clarividentes e outros sensitivos podem percebê-los atuando ao lado dos Exus e das Pombagiras.

 

Em tais situações, primeiro os Mirins fazem uma espécie de rastreamento do ambiente do Terreiro, dos médiuns e consulentes, recolhendo as cargas negativas lançadas mentalmente contra eles (as intenções maldosas). Em seguida, quebram as demandas ativadas com recursos de “ocultação”, que por ali existam. Fazem isso, usando da sua Magia característica.

 

As Pombagiras Mirins e os Exus Mirins fazem esses trabalhos por serem dotados de capacidades próprias da sua condição de Encantados da Esquerda do Criador. Têm habilidades magísticas das quais os nossos valorosos e amados Exus e Pombagiras nem sempre dispõem, justamente porque são espíritos humanos.

 

No final, os Exus e as Pombagiras têm condições mais favoráveis para realizar seus trabalhos específicos (e, neste momento, os Mirins não substituem e nem se igualam aos nossos Guardiões e Guardiãs, pois cada Entidade tem sua especialidade e campo de atuação).

 

Mesmo em Terreiros onde não se aceita a presença de Exus Mirins e Pombagiras Mirins, eles, muitas vezes, atuam de forma não ostensiva (sem incorporar). E onde são aceitos, tanto trabalham dessa forma, quanto podem incorporar e trabalhar ao lado dos Exus (os Exus Mirins), ou ao lado das Pombagiras (as Pombagiras Mirins).

 

Há uma grande identificação entre os Exus Mirins e os nossos Exus. Também há uma grande identificação entre as Pombagiras Mirins e as Senhoras Pombagiras. Os Mirins até chamam os Exus de “tios”. E as Pombagiras Mirins se referem às Pombagiras como “tias”.

 

Como Seres Encantados, e embora dotados de conhecimentos e recursos magísticos, as Entidades Mirins parecem nos dizer que almejam ser aquilo que os nossos queridos Exus e Pombagiras são: querem ser “grandões” como eles, isto é, almejam o grau de consciência e o livre-arbítrio que nossos Guardiões e Guardiãs já conquistaram por serem espíritos humanos em evolução. Indiretamente, os Mirins estão nos mostrando o valor da consciência e do livre-arbítrio e o valor dos Senhores Exus e das Senhoras Pombagiras (que estão usando muito bem esses dons em favor da própria evolução e da nossa!...). Há um grande respeito e admiração na relação entre essas Entidades. Há uma parceria importantíssima, que nem sempre compreendemos e raramente imitamos...

 

Por essa afinidade, as Pombagiras Mirins costumam adotar nomes que são o diminutivo dos nomes das Senhoras Pombagiras e receber oferendas semelhantes às delas.

 

Exemplos de nomes simbólicos:

 

1-Pombagira Mirim Rosinha- referência à Senhora Pombagira da Rosa, que trabalha na Irradiação de Mamãe Oxum;

2-Pombagira Mirim Mariazinha- referência à Senhora Pombagira Maria Padilha, atuante no campo da Fé e da Religiosidade, Regência de Mãe Logunan. Esse nome também pode referir-se à Senhora Pombagira Maria Molambo, que atua no campo do Amor; etc.

Vale lembrar que toda Entidade que usa o nome “Maria” traz uma referência direta ao Sagrado Feminino, ao aspecto da “Mãe Divina”.

3-Outras Pombagiras Mirins acrescentam o nome do elemento característico, ou então do Ponto de Força no qual atuam. Exemplos: Rosinha do Mangue- Irradiação de Mãe Nanã; Pombagira Mirim do Cruzeiro- Irradiação de Pai Obaluayê; Pombagira Mirim da Estrada- Irradiação de Pai Ogum; etc.

 

Exemplos de elementos de oferenda para as Pombagiras Mirins:

 

Rosas vermelhas, hibisco, brinco de princesa e flores vermelhas em geral. Também a mini-rosa vermelha, muito delicada, que agrada às Entidades Mirins, como  homenagem ao seu lindo porte “mirim”;

Sidra ou champanhe de maçã (vermelha) com mel; sucos de frutas vermelhas ou ácidas com mel; refrigerantes.  As bebidas também podem ser adoçadas com Alcaçuz (erva). Algumas Pombagiras Mirins manipulam bebidas com baixo teor alcoólico. Outras não, e preferem sucos de maçã, morango, ameixa vermelha, uva escura, laranja, limão, maracujá etc., ou ainda guaraná, groselha etc.;

Ervas;

Cigarrilhas e fumos preparados com as ervas específicas;

Frutas cítricas (limão, laranja azeda, maracujá, abacaxi etc.) e as de casca vermelha;

Fitas, linhas, pembas, tecidos e velas vermelhas;

Perfumes;

Incensos- Exemplos: canela, rosa vermelha, dama da noite, jasmim, arruda. 

 

UMA REFLEXÃO FINAL, COM BASE NA PRÁTICA MEDIÚNICA:

 

A clarividência é apenas um dom mediúnico, como tantos outros. É um dom natural (e nada extraordinário!), que se apresenta em diferentes graus, em cada médium. Mas ela precisa ser direcionada ao propósito de aprender e de ser útil (sem as bobagens da vaidade de “aparecer”, de “anunciar desgraças” etc.).

 

Bem direcionada, a clarividência dá ao médium a oportunidade de captar alguns “flashes” da comunicação que acontece entre os diversos Planos, Seres e Entidades, nas Giras da Umbanda. Então, esse médium poderá perceber o quanto um trabalho integrado é valioso.

 

A interação que existe entre os Espíritos e os Seres atuantes na Umbanda é um exemplo disso. Porque nos traz os benefícios que a soma dos recursos de cada Ser e de cada Espírito, que eles disponibilizam para o Bem comum, nos trabalhos religiosos da nossa amada Umbanda, e sem fazer alarde. Exemplo que precisamos seguir...

 

Dizer: “Somos Um” não é difícil.  Mas vislumbrar, pela mediunidade, os efeitos de se pôr esta afirmação em prática é algo que emociona, sempre e sempre.

 

E não importa se a pessoa tem clarividência, ou não. A intenção foi apenas exemplificar. Fato que todos podem observar é que os Guias da Direita e da Esquerda vêm trabalhando ao nosso lado, sem parar, apesar das nossas deficiências, resistências, dificuldades etc. Um exemplo a seguir...

 

Os Mirins vivem num estágio anterior à aquisição da consciência e do livre-arbítrio, mas são importantes amigos e auxiliares, sempre que nos dispomos à prática do Bem.

 

Nós, por outro lado, já temos consciência e livre-arbítrio. Mas precisamos utilizá-los com reverência e gratidão ao Divino Criador e com respeito aos demais Seres da Criação, pois são ferramentas que Ele nos concedeu para nossa evolução e integração no Todo.

 

É hora de aprendermos a respeitar e valorizar “os diferentes”, incluindo os Seres de outros Planos da Criação e as diversidades presentes em nosso meio humano. Se nós refletirmos que essas “diferenças” revelam unicamente “as várias Faces” (aspectos) do Criador, vamos despertar para a importante tarefa de praticar a Fraternidade e então avançar mais um pouco no caminho da Evolução.

 

Saudemos, pois, os Divinos Regentes dos Mistérios das Senhoras Pombagiras, das Pombagiras Mirins, dos Senhores Exus e dos Exus Mirins, com gratidão e pedindo bênção. E vamos pedir a proteção dessas Entidades que nos amparam, agradecendo por suas lições de prática fraterna e de humildade perante o Criador e a Criação.

 

As Pombagiras Mirins também nos reconhecem como “diferentes”. Mas vêm até nós,  e para nos ajudar. São amigas. São Mãos do Criador que se doam às nossas mãos, para nos fortalecer. São exemplos de que podemos, sim, aprender a administrar as diferenças aparentes.

 

O importante é a gente se dispor a somar os conhecimentos e as vontades individuais de colaborar. Juntos, podemos aprender uns com os outros, crescer mais e prestar mais auxílio mútuo, contribuindo para o Todo. Assim é na Umbanda ensinada e praticada por nossos Amados Orixás e Guias, esta grande Escola de Espiritualização e de Fraternidade. Vamos abrir o coração e a mente. Seguir a lição e o exemplo e fazer por “refletir essa Luz Divina”, como está no Hino da Umbanda...

 

Quando tivermos aprendido essa lição, quem sabe a Espiritualidade Superior nos revele mais alguma coisa a respeito das queridas Pombagiras Mirins, essas Magas “pequeninas” e cheias de energia e disposição, que tanto nos encantam, mas que ainda permanecem cercadas de “mistérios”... Quem sabe? Afinal, tudo acontece no tempo certo. “Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”...

 

Salve o Sagrado Orixá e as Entidades Pombagira Mirim!

 

Laroyê, Pombagira Mirim! Pombagira Mirim Modjubá!

 

NOMES SIMBÓLICOS: Pombagira Mirim Rosinha (Irradiação de Mãe Oxum); Pombagira Mirim Mariazinha (Irradiação que pode ser de Mãe Logunan ou de Mãe Oxum); Rosinha do Mangue (Irradiação de Mãe Nanã); Pombagira Mirim do Cruzeiro (Irradiação de Pai Obaluayê); Pombagira Mirim da Estrada (Irradiação de Pai Ogum); etc.

 

SAUDAÇÃO: A saudação ao Orixá e às Entidades Pombagiras Mirins é: ―“Laroyê, Pombagira Mirim! Pombagira Mirim é Modjubá! (Pronunciar a saudação e bater paô: a palma da mão direita bate no centro da palma esquerda. Repetir tudo mais duas vezes, num total de três― porque o três é utilizado sempre que se pede a Manifestação do Sagrado.)

 

DIA DA SEMANA: Não há um dia específico. Muitos dedicam a terça-feira, que é regida por Marte e associada aos Orixás da Lei (Ogum e Iansã). A designação de um dia específico, em cada Terreiro, também pode estar relacionada ao Orixá que rege mais diretamente o trabalho da Entidade que comanda esta Linha na Casa.

 

CAMPO DE ATUAÇÃO: Recolhem e anulam as intenções maldosas (magias mentais e projeções mentais negativas, bem como intrigas, difamações injustas etc. praticadas às ocultas por pessoas mal intencionadas contra quem faz o bem); desfazem situações complicadas e bloqueios íntimos profundos; cortam magias negativas, principalmente as realizadas com recursos de “ocultação”; realizam uma potente limpeza e equilíbrio energético em pessoas e ambientes.

 

PONTO DE FORÇA: No geral, as encruzilhadas em “tê” e os caminhos. No particular, o ponto de força do Orixá que rege seus campos específicos de trabalho.

 

COR: Vermelha.

 

ELEMENTOS DE TRABALHO: Ervas; alguidar pequeno com pequenas Pedras de Coralina, Ametista, Pirita, Mica Rosa, Granada, Ágata de Fogo ou Vassoura da Bruxa, por exemplos; búzios; moedas de cobre e/ou douradas; bolinhas de metal; velas e pembas vermelhas; fitas e linhas vermelhas; sementes de olho de boi e olho de cabra.

 

ERVAS:

1-Preferenciais: Patchuli, malva rosa, rosa vermelha, amora, hibisco, pitanga.

2-Outras: Alcaçuz; arnica; aroeira; arruda; canela; casca de alho e de cebola; comigo-ninguém-pode; dandá da costa; erva-de-bicho; espadas de São Jorge e de Santa Bárbara; eucalipto; folhas de bambu, de café, de goiaba, de laranja, de limão, de manga, de pinheiro; garrinha de Pombagira; gengibre; guiné; losna; manjericão roxo; pára-raio; peregum roxo; picão preto; pimentinhas vermelhas; pinhão roxo; quebra-demanda; raízes; sementes (olho de cabra, olho de boi); tiririca.

 

SEMENTES: Olho de boi, olho de cabra.

 

FUMO/DEFUMAÇÃO: Cigarrilha; fumos de ervas específicas enroladas na palha ou queimadas diretamente.

 

PEDRAS: As Pedras vermelhas e rosas, de preferência pequenas, tais como: Mica Rosa, Granada, Geodos de Ágata de Fogo. Algumas usam Pirita e/ou Vassoura de Bruxa.

 

BEBIDAS: Sucos de frutas vermelhas ou ácidas adoçado com mel ou com Alcaçuz; champanhe escuro ou sidra com mel; licores bem doces.

 

FRUTAS: Morango, cereja, maçã, uva escura, romã, acerola, pêssego, maracujá, abacaxi, laranja, limão; as frutas ácidas e as vermelhas em geral. 

 

FLORES: Rosas vermelhas, mini-rosa vermelha, hibisco, brinco de princesa, flores vermelhas pequenas em geral.

 

INCENSO: Rosa vermelha, dama da noite, canela, jasmim. 

 

OFERENDAS:

 

1- Toalha ou pano vermelho; velas, fitas e linhas vermelhas; pembas vermelhas; rosas vermelhas; frutas: maçã, morango, uva rosada, caqui; bebidas: champanhe de maçã, de uva, de sidra; licores (Fonte: Rubens Saraceni, “Oferendas Básicas Umbandistas”).

 

2-Frutas vermelhas e/ou ácidas; ervas; rosas vermelhas; 1cigarrilha; 1 vela vermelha; 1 copo de sidra com mel. Preparação: Pedir licença e bênção ao Criador para fazer a oferenda, saudando o Orixá e a Entidade Pombagira Mirim e pedindo a imantação dos elementos para o objetivo desejado. Montagem: Cobrir o chão com as ervas e sobre elas dispor as frutas. Cercar com as flores. Derramar a bebida em volta. Firmar a vela na frente da oferenda e acender a cigarrilha, dando três baforadas nos elementos (agradecendo, fazendo o pedido, conforme o propósito da oferenda). Deixar a cigarrilha em pé, à esquerda da vela. Agradecer. Recolher tudo quando a vela queimar, agradecer, embrulhar em papel limpo e jogar no lixo.

 

3- Maçã com mel Material: 1 maçã; pétalas de rosas vermelhas; 1 cigarrilha;  uma vela vermelha. Preparação: Fazer uma oração a Deus, pedindo bênçãos e licença para a oferenda. Saudar Pombagira Mirim e pedir sua proteção e a imantação dos elementos para o objetivo desejado. Montagem: Tirar uma tampa da maçã, retirando parte do miolo para fazer um buraco e ali despejar o mel. A pessoa pode colocar o próprio nome dentro da maçã. Rodear a maçã com as pétalas. Firmar a vela na frente da maçã, saudando Pombagira Mirim. Acender a cigarrilha e baforar três vezes na direção da maçã. Pedir proteção e fazer o pedido específico (trabalho, saúde, harmonia na família, harmonia nos relacionamentos). Colocar a cigarrilha em pé, à esquerda da vela. Agradecer. Recolher tudo quando as velas queimarem, agradecer, embrulhar em papel limpo e jogar no lixo.

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4- Trouxinhas de ervas- Para recolher e anular negatividades, embaraços e atrasos que se repetem na vida da pessoa. Material: Um punhado de pétalas de rosas vermelhas, outro de arruda fresca e outro de pedacinhos de canela (as duas últimas podem ser substituídas por outras ervas específicas); 7 paninhos vermelhos redondos; 7 pedaços de fita vermelha de cetim (fininha); 7 velas palito vermelhas; 1 copo de sidra com mel; 1 prato de papelão vermelho. Usar ervas o bastante para fazer 7 montinhos, de modo que cada montinho caiba no paninho vermelho redondo (para fazer as trouxinhas). Preparação: Separar o material e fazer uma oração a Deus, pedindo licença para oferendar Pombagira Mirim, saudando-a e pedindo sua proteção e a imantação do material para o objetivo desejado. Montagem: Misturar as ervas e colocar cada montinho dentro de um paninho vermelho redondo. Fechar, fazendo uma trouxinha, e amarrar com um pedaço de fita vermelha, dando 3 nozinhos. A cada nó, a pessoa se concentra com Fé e pede, nesta sequência: proteção, limpeza energética, depois o pedido específico. Exemplo: “Peço, em nome de Deus, e de acordo com as minhas necessidades e o meu merecimento, que Pombagira Mirim recolha aqui e anule todas as negatividades que estão me envolvendo no campo... (especificar onde está o embaraço: família, saúde, trabalho, amor etc.), desfazendo e anulando tudo isso na origem e desembaraçando os Sete Sentidos da minha vida. Em nome de Deus, que assim seja, e assim será!” Feito isto, colocar as trouxinhas no prato de papelão. Despejar a bebida rodeando o prato. Em torno, acender e firmar as velas. Depois de colocar as velas no chão, saudar Pombagira Mirim, repetindo três vezes e batendo paô:  “Salve suas Forças! Laroyê, Pombagira Mirim! Pombagira Mirim Modjubá! Peço sua bênção e agradeço, agradeço, agradeço, em nome de Deus! Axé!”. Depois que as velas queimarem, recolher tudo, agradecer, embrulhar em papel limpo e jogar no lixo.

 

5- Cestinhas de maçã Material: 7 maçãs grandes; 1 copo de bebida (champanhe de maçã com mel, ou groselha com o champanhe, ou um dos sucos de fruta já indicados, com mel); canela em pó para polvilhar; 7 velas palito vermelhas; 7 pedaços de fita vermelha de cetim (fininha); um prato de papelão vermelho (ou um tecido vermelho) que dê para colocar as maçãs. Preparação: Separar todo o material, pedir a bênção Divina e licença para a oferenda, saudando Pombagira Mirim e pedindo sua proteção e a imantação dos elementos para o objetivo desejado. Montagem: Com cuidado, retirar parte da polpa de cada maçã, esculpindo uma alça na parte de cima da fruta e fazendo um buraco na parte inferior, dando o formato de uma cestinha. Despejar um pouco da bebida dentro de cada maçã. Fazer um círculo de maçãs no prato (ou tecido) e polvilhar com a canela. Estender as fitas, como raios, circulando tudo. Firmar as velas em torno da oferenda, saudando Pombagira Mirim e fazendo seus pedidos. Agradecer. Quando    as velas queimarem, recolher tudo, agradecer, embrulhar num   papel limpo e jogar no lixo.

 

6- Taça de cobre com sumo de uva Material: Um cacho de uvas rosadas (são pequenas e escuras); 2 copos de sidra ou de champanhe vermelho; uma taça pequena de cobre; um pouco de mel; um punhado de dandá da costa (erva); 2 velas vermelhas; 1 cigarrilha; 1 prato (ou pano) vermelho pequeno. Preparação: Fazer uma oração a Deus, pedindo licença para a oferenda. Saudar Pombagira Mirim, pedindo sua proteção e que imante os elementos com seu Axé e sua Magia, já fazendo mentalmente o pedido específico. Montagem: Lavar e colocar as uvas de molho na sidra (ou champanhe) por 3/4 horas, num vasilhame limpo e coberto, firmando na frente 1 vela vermelha para Pombagira Mirim, concentrando-se no pedido. Depois que a vela queimar, espremer as uvas para extrair o sumo, coar e colocar na taça de cobre, misturando com o mel. Reservar as sobras do líquido, para depois derramar em volta da oferenda. Colocar a taça sobre o prato (ou tecido) e circundar com o dandá da costa (erva) e com respingos do sumo de uva que restou. Acender a outra vela e firmá-la na frente da oferenda, fazendo o pedido específico. Acender a cigarrilha, baforar três vezes sobre a oferenda, saudando Pombagira Mirim e batendo paô (nas 3 vezes). Colocar a cigarrilha sobre a taça. Agradecer. Quando a vela queimar, recolher tudo, embrulhar em papel limpo e jogar no lixo. A taça pode  ser lavada e reaproveitada.

 

Cozinha ritualística:

 

1-Padê de licor de cereja― 250 g de farinha de mandioca fina e crua; cerca de dois copos de licor de cereja; pétalas de rosas vermelhas e pedacinhos de canela para enfeitar. Despejar o licor num alguidar pequeno e molhar toda a parte interna do vasilhame. Despejar a farinha, aos poucos e ir misturando, para que fique uma pasta úmida e uniforme.  Enfeitar com as pétalas e a canela.

 

2-Padê de champanhe de maçã- 250 g de farinha de mandioca fina e crua; dois copos de sidra; um pouco de mel; 7 morangos e pétalas de rosas vermelhas para enfeitar. Despejar a bebida num alguidar pequeno, colocar a farinha e misturar. Regar com mel e enfeitar com os morangos cortados ao meio e as pétalas.

 

3- Padê de mel― Um punhado de farinha de mandioca fina e um copo de mel. Despejar o mel num alguidar pequeno e ir misturando com a farinha. Pedir a harmonização de situações de conflito. Pode-se enfeitar com pétalas de rosas vermelhas e/ou pedaços de canela.

 

4- Padê com farinha de milho amarela― Um punhado de farinha de milho amarela e outro de açúcar cristal (ou mascavo); 1 copo de champanhe vermelho com mel.  Misturar a farinha e o açúcar, pedindo uma orientação e auxílio para questões urgentes. Regar com a bebida (despejar com a mão, delicadamente).

 

Observação: Os padês servem como oferenda. Colocar o padê (ou quantos a pessoa fizer) no alguidar (ou alguidares), firmando 1 vela vermelha (palito, ou então de 7 dias) na frente. Pode-se acrescentar 1 copo de sidra com mel e 1 cigarrilha. Durante a manipulação da farinha com a bebida, a pessoa vai fazendo uma oração e o seu agradecimento (oferenda de agradecimento), ou então o pedido específico (oferenda para obter ajuda).

 

TEXTO DOUTRINÁRIO - O MISTÉRIO POMBAGIRA MIRIM- POR RUBENS SARACENI

Fonte: O site do “Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda”

 

Devido ao pedido de muitas pessoas que receberam os textos sobre os Erês e sobre Exu Mirim, vou discorrer de forma livre sobre a Linha das Pombagiras Mirins, Seres Encantados tão desconhecidos quanto os Exus Mirins.

Todos os mistérios da Criação Divina sempre se mostram aos pares, ainda que nem sempre isso nos seja visível porque desconhecemos quase tudo sobre eles.

No caso de algumas Linhas isso já está se mostrando e nem nos damos conta do que está tão visível.

Então vejamos:

Exu do Lodo - Pombagira do Lodo

Exu Veludo - Pombagira Veludo

Exu do Cemitério - Pombagira do Cemitério

Exu Sete Encruzilhadas - Pombagira Sete Encruzilhadas

Exu Sete Capas - Pombagira Sete Véus

Exu Cigano - Pombagira Cigana

Exu das Matas - Pombagira das Matas

Exu das Sete Praias - Pombagira das Sete Praias

Exu Navalha - Pombagira Navalha

Exu João Caveira - Pombagira Rosa Caveira, etc..

Nas Linhas da Direita acontece a mesma bipolarização, porém menos visível, até porque quando o Caboclo é ativo (incorporante), a Cabocla é passiva (não incorporante), ou seu nome simbólico é diferente do dele, fato esse que dificulta a identificação dos pares de Guias da Direita.

Pai João do Congo forma par com Mãe ou Vovó Maria Conga

Pai João do Cruzeiro forma par com Mãe Maria das Almas

Pai João de Angola forma par com Vovó Maria do Rosário; etc.

Caboclo das Matas - Cabocla Jurema.

Caboclo Pena Branca - Cabocla Guaraciara.

Caboclo Sete Ondas - Cabocla Yara; etc.

Bom, paremos por aqui, senão iremos revelar algo ainda fechado no tocante às Linhas da Direita, certo?

O fato é que existe toda uma Dimensão da Vida localizada a sete graus à esquerda da Dimensão Humana da Vida; escala essa que é horizontal e cada um dos seus graus contém todo um universo em si mesmo, dentro do qual desemboca toda uma Realidade Divina que começa no interior de Deus, dentro de uma de suas Matrizes Geradoras de Vidas, vidas essas que são geradas aos pares (masculino e feminino).

Portanto, existem 77 dessas Dimensões da Vida que desembocam nesse nosso abençoado planeta e a Humana é a de número 21, na escala magnética Divina horizontal.

A de nº 20 é a habitada pelos Seres Naturais regidos pelo Orixá Exu; e a de nº 22 é habitada pelos Seres Naturais regidos pelo Orixá Ogum, só para que entendam essa escala Divina, certo?

Todos os graus abaixo de 21 são classificados como Dimensões negativas e as acima são classificadas como Dimensões positivas.

A partir da compreensão desse Mistério intra-planetário, então podemos discorrer sobre o Mistério Pombagira Mirim, pois, assim como essa Matriz Divina gera Exu Mirim, também gera um ser feminino em tudo análogo a ele (em poderes e Mistérios) e que também se manifesta na Umbanda quando lhe é possível ou permitido, sendo muito comum elas se apresentarem como Pombagiras Meninas.

Em outros casos, apresentam- se como Pombagira Mariazinha (diminutivo de Maria Molambo ou de Maria Padilha), etc.

É claro que em um médium só se apresentará um Exu Mirim e a Pombagira Mirim será passiva (não incorporante).

Já em uma médium tanto pode incorporar o Exu Mirim quanto a Pombagira Mirim, mas nunca os dois serão ativos e, ou será ele ou será ela que sempre incorporará e trabalhará nas giras de atendimento ao público.

Mas isso não quer dizer que não possa incorporar esporadicamente tanto o Exu quanto a Pombagira Mirim, em uma gira fechada (não aberta ao público).

E antes que alguém pergunte qual é a oferenda para elas, saibam que é igual às das Pombagiras adultas.

É claro que aqui só comentei um pouco sobre as Pombagiras Mirins e há muito mais sobre elas, mas vou parar por aqui, senão terei que escrever um livro só sobre esse mistério da Umbanda, certo? (RUBENS SARACENI)

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Surpreender - se, admirar - se, é começar a entender. (José O. Gasset - Filósofo espanhol)

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